Número total de visualizações de página

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Desgarrada



Um bom dia a toda gente
Eu cá quero duas carcaças
Como era antigamente
E se não queres entender
Ó filha vai p’ró caraças
Quero lá saber!
Deixa-me pois acabar
Toma atenção à conversa
Pois se eu fiz uma promessa
Que assim tinha que falar
Irra que é complicada
Lá começa ela outra vez
Ó mulher está lá calada
Se não sei falar inglês
Sei falar à desgarrada

Bom dia senhor Sebastião
(Olha que amanhã eu não quero pão)
A sua esposa está boa?
E como é que vai a vida?
Ah foi ter com a filha a Lisboa
Ó menos anda distraída

Estás a ouvir Amélia Maria
Não me deste a demansia
Olha a Maria Emília…
Falta-me aqui dinheiro
Adeusinho Senhor Sebastião
Beijinhos à dona Conceição
E cumprimentos à família

Á mulher não te vejo desde Janeiro
Pois quem havia de dizer
Tiveste tão atrapalhada...
Ai, andavas tão mal parecida
Assim já gosto de te ver
Pois se eu fiquei convencida
E até mesmo conformada
A pensar que ias morrer

Então e estás de luto por quem?
Ai filha nem sabes como lamento
Que a gente não somos ninguém
Mas olha com toda a sinceridade
Ouve o que eu te vou dizer
Tinha posto no pensamento
Que a tua mãe já há muito tinha morrido...
Afinal e vai-se a ver
Ficou viúva do marido!

Mas tu és para a minha idade
Pois se eu fui tua vizinha
Ai rapariga não me leves a mal
Mas isto é caso para perguntar
Será que a tua avozinha
Também foi ao funeral

Então eu cá via-te passar
No tempo em que namoravas...
Á mulher só me estás a baralhar!
Tu antigamente não gaguejavas

Realmente estás muito diferente
Já nem sequer tens aquela micose
Até parecia que tinhas o demónio na alma
Agora vejo-te assim tão calma
Deu-te alguma trombose

Ai que eu nem me posse crer!

Á rapariga passa-me para cá o pão
Então lembrei-me de repente
Que tenho que me ir embora

Ai mulher mas que grande confusão
Que acabei de fazer agora
Isto só visto realmente
Ai fado do trinta e um
Então eu sempre tinha razão
Mantém-me essa boca fechada
Não conheço esta de lado nenhum
E tu nem me digas mais nada
Agora é que me estou a lembrar
Que a outra afinal já foi sepultada





Sem comentários:

Enviar um comentário