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domingo, 22 de fevereiro de 2015

As Mil E Uma Noites



Isto está a enegrecer
Quem me manda ser pateta
E ir atrás da canção
Deixei-me então convencer
E agora faço dieta
P’ra pagar aquele colchão?


Mandei chamar a senhora
Anda-me só a empatar 
Mas que grandes confusões
Onde eu cá me fui meter
Não sei se é das prestações
Nem o meu corpo se aguenta
Quase me dão convulsões
Levanto-me nervosenta
Vejam bem o meu castigo
Nem consigo descansar
E se ele acaba comigo
Sem que o consiga pagar

Está dentro da validade
Era só p’ra experimentar
“Que estou armada em doutora”
_ Não gosto da qualidade
E é pois isso só que eu acho!
Deito-me p’ra um lado ou p’ró outro
Fica a cabeça p’ra baixo

Depois diz que é magnético
Um belíssimo calmante
E também é ortopédico
Parece-me asfixiante
E pode ser da massagem
Que faz bem à cartilagem
Fiquei com o corpo dorido
Com as bolas a dar a dar
Já tomei um comprimido
Não me consigo ir deitar

Diz que tira o magnético
Nem me dou bem com as bolas
Depois tira o ortopédico
Pois se nem sequer tem molas
O meu corpo não se acostuma
E com a cabeça pendurada
P’ra ficar com um colchão de espuma
Matam-me em menos de nada

Claro que me quero desfazer
Mas diz que p´ró devolver
Pois tem que ir para a reciclagem
Rectificar os pespontos
E p’ra mudar de embalagem
Vejam bem a gatunagem
Ai o que eu tenho sofrido!
Levam cento e vinte contos
Pois isto em dinheiro antigo

Vou fingir que já estou morta
Meto o colchão lá p’ra fora
Nem que eu tenha que fugir
E ponha uma cruz na porta
E daqui me vá embora
Tenho cara de imbecil?
Então com esse dinheiro
Meto-me pois num cruzeiro
E vou viver pró Brasil 



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