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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Quem Canta Seus Males Espanta



Sou a Maria Albertina
E a minha rica Umbelina
Canta muito bem o fado
É uma prima extremosa
Não é nada invejosa
E está sempre a meu lado

Gostamos de fadistices
E não queremos ter chatices
Mesmo nada com ninguém
E se eu cá toco guitarra
E sempre com muita garra
Acompanho-a muito bem

Canta, vamos fazer uma festa
Pois não há vida, não há vida como esta
Deixa p’ra lá as crises e contensões
Apesar do país, ai andar aos trambolhões

Andamos a lavar escadas
Ai e tão contrariadas
Pois nessas nossas fascinas
Se acaso ganhamos mal
Isso é muito natural
Somos duas clandestinas

E confesso em segredo
Ambas temos muito medo
Que afinal de alguma forma
Pois se nos passa p’la tola
Que ‘inda nos tiram a esmola
Da nossa fraca reforma

Buscamos maridos ricos
No meio dos bailaricos                    
E já com os pés p’rás covas
P’ra pagarmos os calotes
Mas vai-se a ver que os velhotes
Só querem moçoilas novas

Só me passa p’la cabeça
Que seja tão evidente
Tomara que me apareça
Que valha a pena casar
Seja novo o pretendente
Que me queira desposar


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