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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Os Moldes Da Dentição



Tenho a boca desdentada
É verdade ainda estou viva
Mas se rio à gargalhada
Pois façam lá uma ideia
Se só me resta a gengiva
Ai credo fico tão feia

Mas se é mal que não perdura
E se os meus eram valentes
Vou ter uma dentadura
Pois já está encomendada
Ficarei com uns ricos dentes
E a boca toda enfeitada

São coisas próprias da vida
Tira as tuas elações
Já fui tirar a medida
E não tenho outras hipóteses
Vou pagar às prestações
Os dentes das minhas próteses

E agora faço dieta
Enquanto a gengiva baixa
De tão fraca estou aflita
Mas com a dentição completa
Começo a arreganhar a taxa
Que é p’ra ficar mais bonita

Comprar em segunda mão
Ainda fui experimentar
Assentavam todos mal
E cheguei à conclusão
Não se consegue encontrar
Um tamanho universal

Se acaso já estou idosa
Por causa dos meus joelhos
Custa-me até a agachar
De resto não uso espelhos
Que eu sou muito comichosa
Não me vá eu assustar

Ponho-me às vezes cismada
Quando a vergonha me ataca
Vejo-me então engelhada
Numa travessa de inox
Vai-se a ver com a nova placa
Parece que fiz botox

Que sejam muito certinhos
E venham todos polidos
E também muito branquinhos
Pois de resto quem tem dentes
Pode escolher os maridos
Com a força dos pretendentes

Mas se for algum jumento
Não precisas de ir embora
P’ra perderes o casamento
E sem qualquer alarido
Com a cremalheira de fora
Ficas logo sem marido

E os dentes prendem-se à tira
Mas se a placa descair
Até parece mentira
Ainda pode rachar
E acabas por engolir
Os que estão a saltitar



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