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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Ó Meu Deus Vem-me Amparar




Ó meu Deus vem-me amparar
Que isto está a enegrecer
Tenho contas p’ra pagar
O que é que eu posso fazer

Estou a ficar escanzelada
Que a larica só aperta
Tenho a boca sempre aberta
Bem posso esperar deitada
Com a cabeça recostada
Vejam bem o meu azar
Pois só faço é bocejar
Não é sono podem crer
É vontade de comer
Ó meu Deus vem-me amparar

O que a mim me tem safado?
As feiras das velharias
Vendo até fotografias
Do meu defunto cunhado
E já foi um cortinado
Dez facas e uma colher
Nada mais há que fazer
Mesa pratos tabuleiro
Tenho que arranjar dinheiro
Que isto está a enegrecer

Minha luz já foi cortada
Não tenho gás no fogão
Nem sequer tenho carvão
P’ra fazer uma torrada
Como a côdea à dentada
A água está p’ra findar
A renda por acertar
E o que devo à mercearia
Quero ver se ponho em dia
Tenho contas p’ra pagar

Tinha uma medicação
Não me desse uma trombose
P’rá minha aterosclerose
Também p’ró meu coração
E se cuidava da tensão
Desisti de adoecer
Pois se me punha a tremer
Com o preço da receita
Piorava-me a maleita
O que é que eu posso fazer

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