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domingo, 22 de fevereiro de 2015

A Solitária



Tenho pena não me ajeito
Tirava-me esta aflição
Bem cá no fundo do peito
Quem me dera ser ladrão

Se o multibanco é pesado
Nem o sei armadilhar
Sozinha p’ró empurrar
Não o dava deslocado
P’ra subir a um telhado
Com o devido respeito
Se não chego ao parapeito
Pois dão-me alucinações
Vinha então aos trambolhões
Tenho pena não me ajeito

Não me posso iludir
Para assaltar viaturas
Não sei abrir fechaduras
Nem tão pouco conduzir
Passava o tempo a fugir
Com medo de ir p’rá prisão
Roubava de arrepelão
Fios malas e carteiras
Se não perdesse as estribeiras
Tirava-me esta aflição

Nem sequer tenho armamento
Nem espingarda nem pistola
Nem faca de ponta e mola
Nem sequer outro instrumento
Nem tão pouco um fardamento
Que tivesse algum trejeito
P’ra esconder o meu defeito
De andar para aí no gamanço
E me desse algum descanso
Bem cá no fundo do peito

Ao querer assaltar um banco
Se eu mal me posso mexer
Depois tinha que correr
Tal qual como um saltimbanco
Se o joanete anda manco
Gerava-se a confusão
Mas com uma arma na mão
Tornava-me a mandatária
Chamavam-me a Solitária
Quem me dera ser ladrão

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