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sábado, 20 de julho de 2013

Desgarrada Com A Prima Umbelina | Maria Albertina Natividade da Purificação







(Albertina)
Bom dia querida Umbelina
Ó rica prima extremosa
Que a ti Maria Albertina
Teve sonhos cor-de-rosa

 

(Umbelina)
Se os teus foram cor-de-rosa
Nem sequer acordei cedo
Pois senti-me tão saudosa
Nos braços do meu Alfredo

 

(Albertina)
Nos braços do teu Alfredo
Só se andaste a almarear
Parece mais um enredo
Pois se o defunto morreu
De tanto se embebedar
Devido a uma overdose
Vai-se a ver que o teu Morfeu
Também sofre de cirrose

 

(Umbelina)
E o teu que morreu de enfarte
Com esse teu mau feitio
Tiveste culpas em parte
Não há quem não adoeça
Se andavas num desvario
A dar-lhe dores de cabeça

 

(Albertina)
Rica prima mas que graça
Não és boa de assoar
Ouve lá velha carcaça
Tu não me vires o dente
E não me faças falar
Que o melhor é estar calada
Bebe um copo de aguardente
Que deves estar esfomeada

 

(Umbelina)
Mas tu é que és beberrona
E andas sempre fatigada
Saístes-me uma mangona
E só queres é boa vida
Se fosses minha empregada
Pois já estavas despedida

 

(Albertina)
Melhor sorte é a tua
Que ao menos eu nunca falho
Já foste posta na rua
Por conta da codrelhice
Nada queres com o trabalho
Mas antes com a galdeirice

 

(Umbelina)
Estou a ficar ofendida
Vê lá bem a tua manha
E nem fiques ressentida
Tens falta de cabecinha
Que ao casares já ias pranha
Com um ramo de laranjeira
Pois sempre foste fresquinha
E se eras namoradeira

 

(Albertina)
Ó menos pude escolher
Tive muitos pretendentes
De ti não podes dizer
Foi casamento arranjado
Resto dos meus excedentes
Por sinal metia medo
Que era tão mal acabado
Esse teu defunto Alfredo

 

(Umbelina)
Já não sei o que te diga
Temos muito que falar
Não estás a ser minha amiga
Põe-te tu no meu lugar

 

(Albertina)
Estás a por paninhos quentes
Estavas feita malcriada
Sempre foste de repentes
Se por sinal tens bom fundo
Pois devias estar calada
Que andas nas bocas do mundo

 

(Umbelina)
Se me estás a difamar
Fala pois da tua vida
O quanto és incompetente
Já nem podes laurear
Com a bexiga descaída
Ainda com a tua idade
Estás velha, incontinente
Em abono da verdade

 

(Albertina)
E tu já nem tens ovários
Sou ainda menstruada
Com uns joanetes ordinários
Pois andas sempre a mancar
E o melhor é estares calada
Que ao menos posso dançar

 

(Umbelina)
Que me interessa o bailarico
Pois mesmo assim a mancar
Chego a horas ao penico
E mesmo com a minha artrite
Não me ando sempre a borrar
Como tu com a colite

 

(Albertina)
Mau, Maria é mais que a conta
Que só te estás a esticar
Estás-me a fazer uma afronta
Pois se já estás pechingada
E o melhor é acabar
Por aqui a desgarrada

 

(Umbelina)
Mas ouve lá Albertina
(Albertina)
Ouve tu ó Umbelina
Foste tu que começaste
(Umbelina)
Mas que grande mentirosa
Se acaso me provocaste
(Albertina)
Põe-te mas é sossegada
Não sejas tão rancorosa
Senão desato à chapada…

 

(Albertina)
Vamos já à minha frente
Que estamos desentendidas
Pois disseste a toda a gente
O pior das nossas vidas!!!

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