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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Portugueses, Portuguesas | Maria Albertina Natividade da Purificação

 
 
 
 

O que venho anunciar
Portugueses, portuguesas
É comida em vossas mesas
Pois se afinal estão a ougar
E se estou a discursar
Quero-me fazer entender
Se tiverem que adoecer
No hospital ou na caixa
Deixarão de pagar taxa
Já basta vê-los sofrer

 

E se vivemos num estado
Que afinal é democrata
P’ra que a coisa seja exata
Fica já deliberado
O que dá bom resultado
Pois que haja igualdade
P’ra bem da fraternidade
Vivamos sem repressão
Com os filhos da nação
Exalte-se a liberdade

 

Deve vir bem mencionado
Na nossa constituição
Que haja alguma exatidão
Temos assalariados
E outros já reformados
Carentes de economias
Se fazem contas esguias
Tanto têm descontado
Vai-se a ver o resultado
São fracas as regalias

 

E os impostos vão descer
Pois se com isso presumo
Que subirá o consumo
Vê-se o dinheiro a crescer
Muito tenho a prometer
Sejamos pois realistas
Se formos mais consumistas
Os cofres vão aumentar
Virão enfim mais turistas
Se acaso a vida baixar

 

Sou do povo poetisa
Ai com tamanha nobreza
Que o que mais me realiza
E ao invés de ficar calma
É ser assim portuguesa
E logo de corpo e alma

 

Serei uma candidata
Prescindo do ordenado
Que assim ficarei barata
E tenho muitas esperanças
De cobrar o preço justo
E farei tantas poupanças
Com essas ajudas de custo

 

E dou este depoimento
Na conferência de imprensa
Nem sabem como lamento
Esta estranha confusão
Pois irei p’ró parlamento
Peço a vossa votação

 

E se p’la constituição
Não é de qualquer maneira
Que é feita a governação
Nem sequer na brincadeira
Que o povo está a pagar
E é com cada abatimento
Está-se só a endividar
E se me der na veneta
Pois irei até São Bento
Montada numa lambreta

 

Ou mesmo na pasteleira
Do meu defunto marido
Não seria a primeira
Mas a pedalar talvez
E punha tudo em sentido
Pois parece um infantário
A julgar p’los governantes
Que belíssimo salário
Têm esses figurantes

 

Sairei pois vencedora
Destas novas eleições
Posso até ser amadora
Certamente que me ouves
Faz as tuas opções
Vota então no meu partido
Neste Partido das Couves
Bem sei que andas aflito
E cá fica prometido
Com muito dó e carinho
Que até farei um manguito
Em nome do Zé Povinho

 

Vota na Ti Maria Albertina!
Vota Partido das Couves!

 
 

(ILUSTRAÇÃO/ARTE DE MIGUEL MATOS)


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