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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Toma Lá Mais Um Manguito | Maria Albertina Natividade da Purificação


 
 
 
 
 
(Dedicado ao FacebooK)




Queriam-me apagar a voz
Mas se eu cá sou precavida
Nem me deixaram feroz
Pois se me pus na risota
Por sinal fiquei estendida
Com tamanha cambalhota

 

E se eu sou bem-humorada
Ai, nem esperem p’la demora
Que não me dou por achada
Vai-se a ver foi tudo ao ar
Não me vou daqui p’ra fora
Vou antes recomeçar

 

Vou-me deitar a escrever
Sempre fiz aquilo que pude
Melhor soubesse fazer
Melhor fazia afinal
Pois se tenho por virtude
Ser filha de Portugal

 

E honrarei o meu país
Com o meu poetizar
P’ra que ele possa ser feliz
Numa boa gargalhada
Mesmo que o faça brincar
É p’ra que lhe aches piada

 

E apesar de ser brejeira
De ninguém faço capacho
Gosto até da brincadeira
Não deito ninguém abaixo

 

Dos fracos não reza a história
Sete vidas como os gatos
Faço de cada uma glória
E canto a liberdade
Vós é que sois uns ingratos
Nem dela têm saudade

 

Eu vendo humor e ternura
Pois se até os dou de graça
P’ra acabar com a ditadura
Parece dissimulada
E dá-me dó da desgraça
Da desgraça engravatada

 

Falo demais, temos pena
Mas sinto-me aliviada
Não tenho a alma pequena
E por sinal sou humana
Inquieta acalorada
Se acaso sou lusitana

 

Já quis ser uma princesa
Aquando eu era novata
Deixei pois a realeza
Coisas vulgares e banais
E agora sou Democrata
Luto por tais ideais

 

E até faço com jeitinho
Por mim e por toda a gente
Em nome do Zé Povinho
Não te dê p’ró faniquito
E muito educadamente
Toma lá mais um manguito

 

 
 
(ILUSTRAÇÃO/ARTE DE MIGUEL MATOS)

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