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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ai Moscatel de Azeitão | Maria Albertina Natividade da Purificação




Chá café ou moscatel
Prefiro aquele de Azeitão
Mas que valente pomada
Que o café faz mal ao fel
Pois em minha opinião
Antes bebo o de cevada

 

E o chá pode ser excitante
Diurético afinal
Mesmo que seja calmante
Com a bexiga descaída
Vai-se a ver que por sinal
Passo pois por um grande frete
E ando sempre de fugida
Numa grande agitação
A correr para a retrete
Com a cueca pela mão

 

Depois também é aguado
Cheira a ervas, cheira a flor
Se não for açucarado
Ai deixa-me agoniada
Sem disfarçar o odor
E nem sequer me alimenta
E ao ficar desconsolada
Deixa-me então rabugenta

 

E vai mais um p’rá goela
Que é docinho e encorpado
Esta bebida amarela
Ai Moscatel de Azeitão
Não lhe sinto malefício
E se ele é do meu agrado
Vai mais um p’ra festejar
Pois que ao ser alimentício
Também me faz engordar

 

E cá vai mais um pinguinho
Apaga-me o desespero
Ponho-me no meu cantinho
E até canto à desgarrada
Sem que seja em exagero
Depende pois da medida
Ai sinto-me atordoada
Mas fico alegre com a vida

 

Só mais um p’ra arrematar
E se tenho um bom beber
Dá-me p’ra poetizar
Mas que grande inspiração
E vai mais um p’ra aquecer
As paredes do coração

 

E não me dou enjoada
Neste meu modo de ser
E desato à gargalhada
Mesmo que esteja sozinha
Pois antes de adormecer
Porque é doce e sabe bem
Bebo mais uma pinguinha
Não faço mal a ninguém

 

 

 

ILUSTRAÇÃO/ARTE DE MIGUEL MATOS


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