Número total de visualizações de página

sábado, 20 de julho de 2013

Agarro-me Ao Facebook | Maria Albertina Natividade da Purificação







Ora viva a todos vós
Pois se acordo entusiasmada
E canto a uma só voz
Com a alma enrouquecida
Posso parecer acordada
Mas estou meio adormecida

 

Por sinal dormi à pressa
Mas estou sempre bem-disposta
E parece uma promessa
Pois tenho que vir espreitar
E mesmo assim descomposta
Com o cabelo por pentear

 

Ai tornei-me viciada
Não sei o que hei-de fazer
Levo a vida desnoitada
Ando branca, cor do estuque
E logo ao amanhecer
Agarro-me ao facebook

 

E passo a vida a correr
A carregar com o andor
E assim mesmo tem que ser
P’ra fazermos frente à vida
Ai, e ligo o computador
Fico pois mais divertida

 

Se não tenho enviuvado
Havia de ser bonito
Tinha o caldo entornado
Com a casa por arrumar
E se ele era p’ró esquisito
Tinha que o endrominar

 

P’ra comer está complicado
Tem que ser a engolir
Pois que o tempo está contado
Não perca o fio à meada
P’ra me poder distrair
E até rir à gargalhada

 

Meu doce e pobre marido
Que me vinhas empatar
Pois se tens sobrevivido
E não digo isto a ninguém
P’ra me andares sempre a espiar
Há males que veem por bem

 

Afinal foi o destino
O destino que Deus quis
Ia ser um desatino
Tanta roupa por passar
Ias torcer o nariz
Com a loiça no alguidar

 

Vá lá que a minha Umbelina
Anda bem intencionada
Pois se me fez a fascina
E eu que lhe queria pagar
Foi na semana passada
E ela não quis aceitar

 

Fica então enciumada
Com as minhas amizades
Diz que estou sempre calada
E assim mesmo tem que ser
Pois p’las minhas felicidades
Tenho que me concentrar
Se não ponha-me a escrever
O que estou a conversar

 

Havia de ser jeitoso
Uma coisa engraçada
Tudo muito curioso
Com a nossa codrelhice
E sem perceberem nada
Tinha um cheiro a trapalhice

 

Agora vou terminar
Pois quero ver se não falho
Tenho assuntos a tratar
E nem me posso entreter
Pois tenho que ir para o trabalho
O que é que eu posso fazer?

 

Vou-me apenas despedir
Pois vou ter que me ir embora
Voltarei quando sair
Afinal dos meus cansaços
Não vejo chegada a hora
Deixo beijos e abraços

Sem comentários:

Enviar um comentário