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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Corrida À Portuguesa | Maria Albertina Natividade da purificação

 
 
 
 

Isto é que é uma tourada
Quem paga é o animal
Tanta gente na bancada
P’ra defender Portugal
 
Muitos nobres cavalheiros
Com as jaquetas de oiro
Lidam na praça o toiro
Parecem bravos guerreiros
Eles e os bandarilheiros
E se acaso houver espada
A malta fica animada
Com campinos e forcados
Todos muito bem trajados
Isto é que é uma tourada
 
Corrida à portuguesa
Mete coches e tem Neto
Por sinal com bom aspeto
Tem coisas de realeza
Pomposa por natureza
Com uma fanfarra real
Mas vai-se a ver que afinal
Não deixa de ser sangrenta
Numa luta violenta
Quem paga é o animal
 
Ouvem-se olés de alegria
Mas que coisa desonesta
Fazem do sangue uma festa
Sinto-lhes a ironia
Toca a banda a fantasia
E a ralé põe-se encantada
E grita por tudo e por nada
Não consigo perceber
Nem se condói com o sofrer
Toda a gente na bancada
 
E fazem-se cortesias
E as pegas são oferecidas
E de caras garantidas
E medem-se as valentias
Apressam-se as agonias
No cito ao toiro afinal
Toiro lindo por sinal
E em quantas, quantas touradas
Desatamos às marradas
P’ra defender Portugal
 
 
 
ILUSTRAÇÃO/ARTE DE JOÃO MARQUES JACINTO

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